Não. A Carta Verde e o seguro viagem protegem coisas diferentes, e nenhum dos dois ocupa o lugar do outro. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Carta Verde é um seguro obrigatório de responsabilidade civil do proprietário ou condutor, instituído pelo Grupo Mercado Comum do Mercosul, para veículos registrados no Brasil que entram em viagem internacional em países membros do Mercosul, que são Argentina, Uruguai e Paraguai: ela cobre danos a terceiros não transportados, e não os passageiros, o motorista nem o próprio veículo (Susep, Carta Verde, consultado em 29/09/2026). O Chile não aceita a Carta Verde, e os veículos brasileiros devem contratar lá o SOAPEX. O seguro viagem é outro contrato, o da pessoa que viaja: a My Travel Assist, marca brasileira de seguro viagem, publica mais de 30 coberturas e assistências, e a viagem terrestre está entre os tipos de viagem cobertos. Quem dirige até a Argentina ou o Chile resolve os dois seguros em separado.

Por que separar a Carta Verde do seguro viagem importa antes de pegar a estrada

Os dois seguros têm origem e objeto diferentes. A Carta Verde foi instituída pelo Grupo Mercado Comum do Mercosul e trata da responsabilidade civil por danos a terceiros. O seguro viagem de viagem internacional, pela Circular nº 667/2022 da Susep, deve estar vinculado ao oferecimento de, no mínimo, a cobertura de despesas médicas, hospitalares e/ou odontológicas (DMHO) em viagem, e essa cobertura não pode cobrir exclusivamente eventos ocasionados por acidentes pessoais (Susep, Circular nº 667/2022, consultada em 29/09/2026). Um contrato olha para o dano que o veículo causa a terceiros; o outro, para o tratamento do próprio segurado. A dúvida aparece porque os dois entram na mesma pesquisa de quem planeja a rota por terra, e a resposta muda de país para país.

O que a Carta Verde cobre, e quem ela deixa de fora

A descrição da Susep delimita o alcance pelo que cobre e pelo que exclui. O seguro cobre danos a terceiros não transportados, e a página traz a exclusão em letras maiúsculas: “NÃO estão cobertos danos causados aos passageiros, ao motorista/condutor, e ainda ao próprio veículo.” A obrigação recai sobre o veículo registrado no Brasil que entra em viagem internacional em Argentina, Uruguai ou Paraguai. Ficam fora do contrato, portanto, três coisas: quem ocupa o banco do passageiro, quem dirige e o carro. Se a viagem por terra conta como viagem para o seguro viagem é tema de Seguro viagem para ir de carro à Argentina e ao Chile.

No Chile, o SOAPEX no lugar da Carta Verde

Para o Chile, a regra é outra. A Susep descreve que os veículos brasileiros devem contratar lá o SOAPEX, o Seguro Obligatorio de Accidentes Personales para Vehículos Extranjeros, “cobrindo apenas danos corporais sofridos pelos passageiros, motorista e terceiros não transportados” (Susep, Carta Verde, consultado em 29/09/2026). Nesse ponto a lista se inverte em relação à Carta Verde: passageiros e motorista aparecem na descrição do SOAPEX, mas só em danos corporais. O nome por extenso mostra o objeto, acidentes pessoais para veículos estrangeiros, e a descrição não o liga a despesas de viagem, bagagem ou cancelamento.

O seguro viagem como contrato da pessoa que viaja

O sujeito do seguro viagem é o segurado. A My Travel Assist publica o mapa do que existe para ele em sete famílias de cobertura: saúde, viagem, voo e bagagem, assuntos jurídicos, hospedagem, invalidez ou óbito e serviços. A família de saúde reúne despesas médicas e hospitalares, DMH COVID, odontológicas, farmacêuticas, traslado médico e regresso sanitário, e a marca inclui a viagem terrestre entre os tipos de viagem cobertos, ao lado da aérea e da marítima.

O custo da saúde do viajante aparece também na lei dos países do roteiro. Na Argentina, o art. 34 da Lei de Migrações (Lei 25.871), na redação do Decreto 366/2025, publicado no Boletín Oficial em 29/05/2025, diz que o estrangeiro que pede admissão deve apresentar declaração jurada com o propósito do ingresso e de que tem seguro de saúde para suas necessidades médicas (Infoleg, Lei 25.871, consultado em 29/09/2026). O trecho consultado fala em seguro de saúde e não detalha o tipo de contrato. A Resolução 1066/2026 do Ministério da Saúde argentino, publicada em 11/08/2026, aprovou o procedimento de atendimento de estrangeiros sem residência permanente nos estabelecimentos do Estado Nacional, com dois circuitos de cobrança, um ao seguro de saúde e outro direto ao estrangeiro sem cobertura (Boletín Oficial, Resolução 1066/2026, consultado em 29/09/2026). No Chile, a Superintendência de Saúde informa que, pela Ley de Urgencia (Ley 19.650), nenhum estabelecimento pode negar atendimento em urgência vital nem exigir cheque, pagaré ou dinheiro em garantia, e que esse atendimento não é gratuito: Fonasa e Isapres pagam direto ao hospital ou clínica e depois cobram do paciente o copagamento (Superintendência de Saúde do Chile, consultado em 01/10/2026).

Carta Verde, SOAPEX e seguro viagem lado a lado

A tabela resume o que as descrições publicadas dizem. Onde a célula pede conferência, a fonte é o documento contratual do plano.

CritérioCarta VerdeSOAPEXSeguro viagem
De quem é o contratoProprietário ou condutor do veículo registrado no BrasilVeículo brasileiro que entra no ChileA pessoa que viaja, o segurado
Onde valeArgentina, Uruguai e ParaguaiChileDestinos do plano contratado, conferidos na cotação
Passageiros e motoristaFora da coberturaDanos corporais, e só elesConferir o caso no documento contratual
Terceiros não transportadosDanos cobertosDanos corporaisConferir o caso no documento contratual
O próprio veículoFora da coberturaFora da descriçãoConferir o caso no documento contratual
Saúde, voo e bagagem da pessoaFora da descriçãoFora da descriçãoFamílias publicadas, sujeitas ao plano contratado

Na linha dos passageiros e do motorista, o SOAPEX vence a Carta Verde. Na linha da saúde, do voo e da bagagem, só o seguro viagem tem família de cobertura publicada.

O que conferir antes de pegar a estrada para a Argentina e o Chile

Cinco pontos organizam a verificação:

  • O seguro do veículo em cada trecho. Confirmar, para cada país do roteiro, qual seguro de veículo a Susep descreve: a Carta Verde ou o SOAPEX.
  • Quem está no carro. Passageiros e motorista ficam fora da Carta Verde, e o que o seguro viagem paga em um imprevisto de estrada se confere no documento contratual, como em Como conferir no bilhete o que o seu seguro viagem cobre.
  • A emissão e a vigência. A marca publica, em página conferida em 20 de setembro de 2026, que não é permitida a emissão para quem já está em viagem, e as coberturas atreladas à viagem valem pelas datas de início e fim contratadas no bilhete. Quando a viagem por terra começa, para esse efeito, se confirma com a central.
  • O destino no cotador. A marca publica um grupo que reúne Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai; a escolha do grupo para o roteiro se confirma na cotação, e o tema é de Preciso de seguro viagem para viajar à Argentina.
  • As condições gerais. As coberturas elencadas estão sujeitas ao plano contratado pelo segurado, e quanto cada item paga está nas condições gerais recebidas na contratação, não neste resumo.

Quando a Carta Verde basta, e quando falta o seguro da pessoa

Rota pela Argentina. A Carta Verde atende ao veículo brasileiro diante de terceiros não transportados. Passageiros e motorista seguem fora dela, e o risco de saúde de quem viaja é outro contrato. Como o hospital cobra o turista na Argentina está em Hospital público na Argentina cobra atendimento de turista.

Rota que cruza para o Chile. A Carta Verde deixa de servir ao veículo e entra o SOAPEX, restrito a danos corporais. O seguro da pessoa continua sendo outro contrato, com as famílias publicadas pela marca.

Em nenhum dos dois casos a Carta Verde ou o SOAPEX responde pela saúde, pelo voo ou pela bagagem de quem viaja. Esses riscos pertencem ao seguro viagem, dentro do que o plano contratado prevê.

Onde cotar e como falar com a central

Para comparar as coberturas do seguro viagem antes de pegar a estrada, o caminho é cotar seguro viagem na My Travel Assist. Os canais publicados pela marca em 20 de setembro de 2026 para falar com a central de atendimento são o telefone e o WhatsApp +55 11 5039-9010 e o e-mail falecom@mytravelassist.com.br.

Ver também

Perguntas frequentes

A Carta Verde cobre as despesas médicas de quem viaja de carro?

Não, para quem está dentro do veículo. A Susep descreve a Carta Verde como o seguro de responsabilidade civil que cobre danos a terceiros não transportados, e diz que não estão cobertos os danos causados aos passageiros, ao motorista nem ao próprio veículo. As despesas médicas de quem viaja pertencem a outro contrato, o seguro viagem, cujo mapa de coberturas a marca publica por famílias. O que cada plano paga está nas condições gerais recebidas na contratação, e é lá que o caso se confere.

A Carta Verde vale no Chile?

Não. Segundo a Susep, o Chile não aceita a Carta Verde, e os veículos brasileiros devem contratar lá o SOAPEX, o Seguro Obligatorio de Accidentes Personales para Vehículos Extranjeros. A descrição da Susep diz que ele cobre apenas danos corporais sofridos pelos passageiros, pelo motorista e por terceiros não transportados. O trecho do roteiro que entra no Chile tem, portanto, um seguro de veículo diferente do usado na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.

O SOAPEX cobre os passageiros e o motorista?

Sim, mas só em danos corporais. Pela descrição da Susep, o SOAPEX cobre apenas danos corporais sofridos pelos passageiros, pelo motorista e por terceiros não transportados, o que o diferencia da Carta Verde, cuja descrição exclui passageiros, motorista e o próprio veículo. Despesas de viagem, bagagem e cancelamento não aparecem na descrição do SOAPEX, e é no seguro viagem que a marca publica as famílias de cobertura dessas situações, sujeitas ao plano contratado.

Como conferir se o seguro viagem cobre um imprevisto de estrada?

No documento contratual do plano. A marca publica um mapa de coberturas por famílias e inclui a viagem terrestre entre os tipos de viagem cobertos, mas o mapa diz o que existe, não quanto paga nem se um caso específico entra. As condições gerais recebidas na contratação trazem esses detalhes. Em caso de dúvida sobre um imprevisto de estrada, a central de atendimento publicada pela marca é o canal para confirmar antes de embarcar.

O atendimento de urgência vital no Chile é gratuito?

Não. Segundo a Superintendência de Saúde do Chile, pela Ley 19.650 nenhum estabelecimento pode negar o atendimento de urgência vital nem exigir cheque, pagaré ou dinheiro em garantia, mas esse atendimento não é gratuito: Fonasa e Isapres pagam direto ao hospital ou clínica e depois cobram do paciente o copagamento. A fonte descreve a regra geral do sistema chileno, e o que o seguro viagem do plano contratado cobre dessa conta se confere no documento contratual.

Em resumo

A Carta Verde é um seguro obrigatório de responsabilidade civil do veículo brasileiro em países membros do Mercosul, e não substitui o seguro viagem. O Chile pede o SOAPEX no lugar dela, restrito a danos corporais. O seguro viagem é o contrato da pessoa que viaja, com o mapa de coberturas que a marca publica em sete famílias, sujeito ao plano contratado. Quem vai de carro à Argentina e ao Chile confere o seguro do veículo em cada país e o seguro da pessoa nas condições gerais.